Há mais de 50 anos os costumes nordestinos são preservados e transmitidos às novas gerações pela tradicional Feira de Caxias. São cerca de mil barracas que ocupam mais de dois quilômetros que cruzam o bairro 25 de Agosto, formando aquela que é considerada por muitos como a maior feira livre do país. Ela começa na Avenida Duque de Caxias, na esquina com a Rua Cardoso Bessa, e continua pela Avenida Presidente Vargas até a altura da Rua Paulo Lins. Depois prossegue pela Rua Prefeito José Carlos Lacerda (antiga Gastão Cruls) até o seu final.
A Feira de Caxias é mais do que um lugar para conhecer ou matar as saudades do artesanato, das roupas típicas e do patrimônio culinário do Nordeste – como o vatapá, o acarajé, a buchada, a carne de sol, a rapadura, o queijo coalho e o sarapatéu. É um programa semanal familiar, um ponto de encontro de velhos e novos amigos que, mesmo após todo esse tempo, ainda preserva suas características originais. Milhares de pessoas não só da Baixada, mas de todo o Estado do Rio, vão à Feira todos os domingos em busca de sua grande variedade de produtos e de diversão.
Considerada patrimônio cultural do município, a Feira de Caxias – por seu espaço que estimula a confraternização da população e por suas iguarias – já foi exaltada em verso e prosa. O conceituado escritor Arthur da Távola assim se referiu a ela em sua crônica “Certas Delícias da Feira de Caxias”:
“Uma das feiras mais variadas, gostosas de percorrer, é a de Caxias, aos domingos tem de tudo e ainda há iguarias notáveis em matéria de doces de aipim, cuscuz, goiabadas cascão, caseiras, bananadas, torresmos, além de umas tendinhas onde se encontram farinha d’água do Nordeste e carne de sol. E, ainda, há como fritar algumas peças para degustar entre o papo intenso e bom que se estabelece nas mesinhas atrás das barracas”.
Nos anos 40, época da emancipação de Duque de Caxias, a cidade se tornou destino de milhares de migrantes do Nordeste. Em sua maioria trabalhavam na cidade do Rio de Janeiro, que então era a capital do país. Com isso, desde a fundação da cidade, a maioria absoluta de sua população (cerca de 60%) é formada de nordestinos ou de seus descendentes.
A feira surgiu na década de 50, a partir da iniciativa de agricultores de subsistência e de pequenos fabricantes de roupas oriundos desta população nordestina e preservavam suas raízes. Em geral, eles iam negociar o que produziam na capital, mas desejavam vender seus produtos em um local próximo de onde moravam. Essa vontade, aliada à falta de um comércio variado que atendesse as necessidades e anseios da população local, fizeram da Feira de Caxias um dos grandes polos da cultura nordestina no Estado do Rio de Janeiro.
Alameda Dona Esmeralda, 206 – Jardim Primavera Duque de Caxias, CEP 25.215.260 Rio de Janeiro - RJ
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